18/07/2007

O BARULHO DA TAM

em são paulo, 17 de julho de 2007, mais de 160 mortos até agora.
é trágico.
é terrível.
e para os diretamente envolvidos?
para eles todas palavras são inúteis, pelo menos até que a razão consiga controlar a dor.

para os indiretamente envolvidos como eu, é que pesam as responsabilidades.
vivemos no país que merecemos e fazemos parte dele, ou seja, somos parte de sua paisagem.
uns mais outros menos, porém todos contribuímos de alguma maneira para as suas mazelas, desigualdades, desequilíbrios e incongruências.

uma vez ouvi dizer que quando morre um argentino de maneira hedionda, ou numa circunstância política incomum, em razão de alguma falha grave, seja ela humana ou sistemática, o país pára por instantes.
as pessoas saem as ruas nem que seja com panelas nas mãos.
as pessoas sabem que seus vizinhos também farão barulho com suas panelas.
as pessoas sabem que por breves momentos, milhares de panelas demonstrarão ao estado e aos que estão em silêncio, que a maioria pensa junto, age junto e cobra junto por uma determinada posição, solução ou mesmo uma simples ação.

aqui no Brasil as comunidades do "bem" existem. algumas até organizadas. existe o pensamento "semianárquico" de ter posição, expressá-la e lutar por ela. normalmente esses movimentos são contrários aos acontecimentos, as leis, ao pensamento dominante. essa luta é muito difícil. é desigual.
existem sites, blogs e comunidades onde existem aqueles que dedicam alguns minutos do seu tempo para "tocar" outros individuos. isso é apenas uma amostra da disposição necessária.
o aliciamento de forças dispostas a mudar algumas coisas está sendo feito, de várias maneiras, mas por uma fração ridícula da população, fracamente organizada, de uma potência ínfima e eu também não saberia como amplificá-la.

se alguém sabe, esse alguém é um teorizador mudo. onde diabos está essa pessoa ou essa instituição? será que somos órfãos da genialidade?

somos 180 milhões em prostração.
resignados em frente a tv e engolidos vivos pela complexidade da vida brasileira e suas úlceras. nossa medicação é de efeito duvidoso. a cirurgia é o prognóstico.
porque não mudar a dieta a tempo?

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