17/07/2007

A ESCÓRIA TOMA CONTA

resido numa cidade da grande Porto Alegre, pra quem não sabe, Rio Grande do Sul, chamada de província por motivos as vezes carinhosos, mas em sua maioria reveladores de nossa condição histórica e geográfica, incansavelmente cantada pelos gaúchos, tanto nas conquistas quanto nos vexames.
nunca entendi a aceitação da violência nas outras capitais, implícita na absurda quantidade de crimes, dos "pequenos" aos hediondos.

eu estava errado.
o crime avança.
a bandidagem também procria.
e são assustadoramente férteis os pais da vilência.
nossa querida província caminha a passos largos ao caos.

CRIME 1
não faz 1 mês fui assaltado na esquina de minha casa.
celular, mochila com tudo dentro e 150 pilas educadamente retirados dentre meus documentos, gentilmente devolvidos, tudo devidamente executado na solidão de uma noite gelada, por 2 rapazes de minha idade e 1 arma.

CRIME 2
semana passada levaram o carro da dona da empresa onde trabalho.
ela brigou por sua bolsa, se arriscou insanamente ao discutir e tentar "negociar" com um rapaz tão inocente pela aparência quanto inexperiente no ofício. também armado.
era cedo da tarde.
era numa rua movimentada.
o evento foi assistido por transeuntes impotentes.

CRIME 3
na sexta feira da mesma semana o inacreditável acontece.
minha esposa é vítima de um sequestro relâmpago!
resumindo: 3 anos de desemprego habilitam o acesso ao FGTS, pouco mais de 1000 reais,
ansiosamente esperados por nós para colocar em dia as contas de uma família otimizada pelas discrepâncias entre trabalho, renda e custos de vida.
após umas 3 idas a CEF para os trâmites burocráticos ela resolve retirar o dinheiro.
na rua mais central e movimentada de minha cidade, no meio da tarde, ao abaixar-se para amarrar seus cadarços, um sujeito abraça ela e apresenta sua arma.
leva ela a uma galeria comercial próxima, menos clara, menos movimentada.
o desgraçado bandido desferiu um soco no seu estômago após um movimento dela que ele classificou como reação.
ele tinha um pano preto, embebido em substância por nós desconhecida, que levado ao nariz de minha esposa fez ela desfalacer inapelavelmente, imediatamente.

nas suas parcas lembranças, mais uns 2 ou 3 estavam na rua onde desemboca a galeria e colocaram ela no carro.
ela lembra de poucas conversas esparsas.
lembra que disseram que ela nunca mais voltaria para casa.
o importante é que por algum motivo inesperado ela logo foi deixada numa calçada, na BR116.
ela diz que teve a impressão que o carro apresentou problemas e que isso a salvou.

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